
Às vésperas de completar 86 anos dia 16 de Fevereiro o Papa afirmou que deixaria o pináculo da chefia da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por "não ter mais forças" para exercer o cargo. O pontífice acrescentou que estava "totalmente consciente" da gravidade de seu gesto, e por essa razão, estava bem consciente da seriedade desse ato. Disse o Papa: -Com total liberdade declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro", disse Joseph Ratzinger, segundo comunicado do Vaticano.
O PAPA BENTO XVI DURANTE AUDIÊNCIA EM 16 DE JANEIRO:No twitter Bento XVI escreveu : -Devemos confiar no maravilhoso poder da misericórdia de Deus. Somos todos pecadores, mas Sua graça nos transforma e renova.
Sucessor de João Paulo II, Bento XVI havia assumido o papado em 19 de abril de 2005.
O Vaticano havia afirmado que a renúncia iria se formalizar às 20h locais de 28 de fevereiro (17h do horário brasileiro de verão).
Naquele momento o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que a decisão do Papa surpreendeu a todos.
Lombardi também disse que Bento XVI não vai participar do conclave que vai escolher seu sucessor.
Em seu livro de entrevistas publicado em 2010, Bento XVI dava sinais de uma possível renúncia.
A chanceler da Alemanha, país natal do Papa, Angela Merkel, disse que ainda está "emocionada" com a decisão.
CRÍTICAS: Uma crítica feita pelos meios de comunicação à escolha de Joseph Ratzinger foi que o papado continuava na Europa e mais uma vez a A América Latina(região do mundo com mais católicos) continua sem ter tido nenhum Papa. Outra foi sobre a postura pouco clara em relação aos crimes sexuais contra crianças nos EUA, e a sua firme negação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em todo o mundo.
Ainda quanto aos crimes sexuais, houve um importante documentário feito pela rede BBC de televisão intitulado Sexo, Crimes e Vaticano, que acusa o Papa de liderar o "acobertamento de casos de pedofilia". A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja (Crimen Sollicitationis), que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias.
Bento XVI, como seus predecessores, é contrário à ordenação de mulheres e defende a necessidade de moralidade sexual. Para ele, "a única forma clinicamente segura de prevenir a AIDS é se comportar de acordo com a lei de Deus", condenando o uso depreservativos, o que é criticado por muitas correntes sociais. No entanto, é apoiado nestas opiniões por todos os movimentos da igreja, como o Caminho Neocatecumenal, a Renovação Carismática, os Focolares e a Comunhão e Libertação.

Em Agosto/Setembro de 2007, em documento da Congregação para doutrina da Fé, reafirmou que a Igreja Católica é a "única verdadeira" e a "única que salva", o que provocou muitas críticas de igrejas protestantes.
Por decreto de 21 de Janeiro de2009, o cardeal Giovanni Battista Re, Prefeito da Congregação para os Bispos, usando de faculdade concedida pelo Papa Bento XVI, removeu a censura de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação no dia 1 de Julho de 1988 contra quatro bispos ordenados pelo falecido e tradicionalista Arcebispo Manuel Lefebvre, com o rito da "bula” de “Pio X", em desacordo com as regras estabelecidas pelo Concílio Vaticano II ordenação considerada ilegítima pela Igreja Católica.
A Secretaria de Estado do Vaticano esclareceu que "os quatro bispos, apesar de terem sido liberados da pena de excomunhão, continuam sem um função canônica na Igreja e não exercem licitamente nela qualquer ministério." e que este "foi um ato com que o Santo Padre respondia benignamente às reiteradas petições do Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, na esperança de que os beneficiados manifestassem sua total adesão e obediência ao magistério e disciplina da Igreja."
Dentre os quatro reintegrados com o levantamento da excomunhão está o bispo Richard Williamson, religioso inglês, que dirige um seminário lefebvriano na Argentina e nega o Holocausto. O Vaticano tornou público que o bispo Williamson, para ser admitido nas funções espiscopais na Igreja, teria de retratar-se de modo absoluto, inequívoco e público de sua postura sobre a Shoah, desconhecidas pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.
"O ataque a Ratzinger": Desde o começo do pontificado, a ação e as palavras do Papa Bento XVI têm sido apresentada de um modo distorcido que tem produzido incompreensões na opinião pública. A origem desses preconceitos foi tema do livro Attacco a Ratzinger, escrito por dois vaticanistas italianos, Andrea Tornielli do Il Giornale e Paolo Rodari de Il Foglio. O livro, publicado por Piemme, na Itália, provocou um debate sobre o tratamento midiático que o Papa tem recebido.
Os autores não têm a intenção de solucionar todos os questionamentos e problemas ocorridos e consideram que o tumulto provocado por vários episódios não podem ser tidos como sendo apenas um problema de comunicação ou assessoria de imprensa. Os autores em síntese consideram que os ataques ao Papa decorreriam de tres frentes conhecidas:
- 1- "Lobbies e forças" de fora da Igreja com um interesse claro de desacreditar o Papa, tanto por motivos ideológicos quanto financeiros; este grupo estaria constituído por forças laicistas, grupos feministas e gays, laboratórios farmaceuticos que venden produtos abortivos, advogados que pedem indenizações milionárias para casos de abusos, dentre outros.
- 2- Os críticos liberais de dentro da Igreja, que há muito tempo caricaturizaram Ratzinger como o "Panzerkardinal"; e que insistem em fazer uma leitura própria dos textos do Concílio Vaticano II.
- 3- Os assessores do Papa, que, às vezes, representam os seus próprios piores inimigos em relações públicas, é o fogo amigo de assessores imprudentes ou incompetentes.
Jorge E. Traslosheros
A algum tempo atrás Bento XVI recebeu a mídia tremendo por causa dos famosos "vatiliks". Foram publicados na imprensa documentos privados em um livro que saiu de seus próprios escritórios.
MORDOMO: Dada gravidade dos fatos, o papa criou uma comissão de inquérito formada por três cardeais. As investigações descobriram que o mordomo do Papa foi cúmplice e traidor. Claramente não agindo sozinho. Um jornal italiano, publicou que um anônimo ameaçava o Papa, e que iria publicar mais artigos, se não se livrasse do círculo de colaboradores mais próximos como chantagem.
No entanto, o conteúdo dos documentos se mostrou irrelevante. Estas são questões anteriormente veiculadas relativamente em público. Um historiador Jorge E. Traslosheros conhecedor da documentação privada afirmou que seu alcance era limitado, porque para alívio, as informações são imprecisas, ou seja, um emaranhado de palavras e consequentemente, para a imaginação de quem as lê fora são fora de contexto. Sua maior importância reside no fato de depois de ter sido retirado do mais privado local da Santa Sé, o escritório do Papa. Notável demonstração de poder.
Se houvesse chantagem, a quem interessava destruir o Papa?
SITE: LA RAZÓN/PORTAL DE PAULÍNEA